(Apagado o primeiro "Nuvens de Orvalho", e depois de grande interregno, surge esta segunda via, com o principal objectivo de não perder ou deixar ao abandono alguns dos trabalhos do anterior.)

26/02/2026

É Poesia

O meu coração
É poesia
Em avalanche
Oceano em fúria
De rochas em fusão
Sacode tormento e dor
Explode emoção e cor
É aceso vulcão
De lava incandescente
Em insistente erupção
Brilha paixão e calor
Espelha centelhas de luz
Como sol abrasador
Pulsa
Arde
Destila
Sentires em ebulição
Jorra
Correntezas de amor
O meu coração
É poesia

Publicado originalmente em 21/03/2010 no primeiro Nuvens de Orvalho


05/02/2026

Silêncios

Distraída vou respirando silêncios
Silêncios que nada falam
Silêncios que pouco dizem
Silêncios que muito calam
Silêncios que se traduzem
Em ecos inaudíveis
Irreconhecíveis quando surgem
Carregados de vazio
Silêncios em que o frio que produzem
Finjo não perceber
Mas que parece vir de uma aragem
Ou de qualquer outra viragem
Que não me apetece entender

Publicado originalmente em 05/09/2008 no primeiro Nuvens de Orvalho 

09/01/2026

Desenho-te

Rabisco-te em folhas de papel
Desenho-te em tranças e laços de cordel
Sonho-te as formas
Contorno-te as normas
Revisto-te de imagens
Pinto-te de paisagens
Reproduzo-te em cores
Esqueço-te as dores
Cristalizo-te os momentos
Apago-te os lamentos
Limo-te as arestas
Circundo-te de festas
Vida...
Feita poema

Publicado originalmente em 22/07/2008 no primeiro Nuvens de Orvalho

06/01/2026

Geada

Crepita o lume na lareira 
Há geada no quintal 
Lá fora aperta o frio
Cá dentro geme o meu rio

Não sei se é da chuva ou do vento
Calor não é de certeza
Muito embora brilhe o sol
Uma pessoa também se cansa

Cansam as rimas e a poesia
Cansam as canções e a música
A dança acelera o ritmo
Mas os acordes são os mesmos

Não sei se cante se cale
Se grite ou se me embale
Se fuja ou se me instale
Nem como enfrentar este mal

Publicado originalmente em 11/10/2010 no primeiro Nuvens de Orvalho

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