Inspiro o ar da manhã
Como quem bebe
Nos lábios um beijo
E se entrega nessa magia
Encosto os olhos e absorvo
O odor da maré
Como quem recebe
No peito um abraço
E se encolhe nesse aperto
Acordo o olhar
E avisto ao longe o azul
Brilhando por entre as dunas
Confundindo-se com outro azul
Que sobe às alturas
Naufrago
Para naufragar
Não é necessária embarcação
Basta que a não haja
Mas dou à costa
E desperto...
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«abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos»
(Mia Couto)
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