(Apagado o primeiro "Nuvens de Orvalho", e depois de grande interregno, surge esta segunda via, com o principal objectivo de não perder ou deixar ao abandono alguns dos trabalhos do anterior.)

16/06/2026

Naufrágio


Inspiro o ar da manhã
Como quem bebe
Nos lábios um beijo
E se entrega nessa magia

Encosto os olhos e absorvo
O odor da maré
Como quem recebe
No peito um abraço
E se encolhe nesse aperto

Acordo o olhar
E avisto ao longe o azul
Brilhando por entre as dunas
Confundindo-se com outro azul
Que sobe às alturas

Naufrago

Para naufragar
Não é necessária embarcação
Basta que a não haja

Mas dou à costa
E desperto...

(Publicado originalmente a 17/05/2010 no primeiro Nuvens de Orvalho)

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«abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos»
(Mia Couto)

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